segunda-feira, 11 de maio de 2009

no sótão



vivo no sótão. entro nele e tenho uma árvore robusta, com uma copa verde repleta de frutos roxos. à beira do tronco, nasceram flores vermelhas que dançam uma música de verão. é a parte mais alta do sótão e só nela consigo permanecer erecta.

junto à porta, fica uma mesinha de cabeceira, onde depositei a minha caixa de cristais, os cd´s de meditação, os livros de poesia, o queima-incenso e as fotos da mariana e do jorge. nela arde, ainda, a vela do silêncio absoluto. é um móvel de tons verde, azul e amarelo, onde acabo de pousar a caixa prateada dos cigarros e uma caneca de chá de cidreira.

sento-me num canto da cama, com as costas fixas numa almofada e cubro-me com a manta que hoje é da cor do amor incondicional. e penso nos dias de quase inverno, como um quadro de paisagens mortas que eu pinto com as tonalidades do arco-íris.

é bonito o quarto onde eu moro. (apesar de frio). é o quarto onde vou dormir, apenas. mas que hoje me vejo a contemplar. o armário improvisado da roupa, a casinha de bonecas, o macaco que olha as estrelas pelo tejadilho, a foto da menina que aqui viveu antes de mim, rasgam-me um sorriso e pensam-me memórias felizes dos tempos inocentes.

(e agora, quero esvaziar a cabeça de todos os contratempos e pensar no amanhã como um dia perfeito, apesar desta invicta cinzentona).

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