segunda-feira, 11 de maio de 2009

estalacttite IV, VI e VIII



localizar
na frágil espessura
do tempo,
que a linguagem
pôs
em vibração
o ponto morto
onde a velocidade
se fractura
e aí
determinar
com exactidão
o foco
do silêncio.

algures
o poema sonha
o arquétipo
do voo
inutilmente
porque repete
apenas
o signo, o desenho
do outono
aéreo
onde se perde a asa
quando vier
o instante
de voar

caem
do céu calcário,
acordam flores
milénios depois,
rolam de verso
em verso
fechadas
como gotas,
e ouve-se
ao fim da página
um murmúrio
orvalhado.


in "micropaisagem"
carlos de oliveira

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