segunda-feira, 11 de maio de 2009

as palavras



as palavras ficam sem a certeza
gastam-se com a saliva ácida de
quem assiste ao outono: as folhas
velhas, a chuva miudinha que
molha tolos, os agasalhos que  cobrem
os teus braços magros sem abraços

o outono vive em casa, permanentemente em ti
mas eu sei de uma primavera...

o silêncio que me dás ou as palavras parcas 
ensinam-me a não esperar senão pelo fim 
de um caminho que já não conhece o abismo

agora, eu sei como viver sem o concreto
a não ser a certeza de mim e do meu corpo que
se alimenta das maçãs de um pomar sem dono, 
sem pecado, nem preconceito, nem dor

a dor é uma invenção das consciências e
da escravatura do ego

Sem comentários: