
as palavras ficam sem a certeza
gastam-se com a saliva ácida de
quem assiste ao outono: as folhas
velhas, a chuva miudinha que
molha tolos, os agasalhos que cobrem
os teus braços magros sem abraços
o outono vive em casa, permanentemente em ti
mas eu sei de uma primavera...
o silêncio que me dás ou as palavras parcas
ensinam-me a não esperar senão pelo fim
de um caminho que já não conhece o abismo
agora, eu sei como viver sem o concreto
a não ser a certeza de mim e do meu corpo que
se alimenta das maçãs de um pomar sem dono,
sem pecado, nem preconceito, nem dor
a dor é uma invenção das consciências e
da escravatura do ego
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