terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


de ti, tenho unicamente a fotografia da chegada. permaneço nela com a tranquilidade de quem nada espera: nem lágrimas, nem sorrisos. apenas a humildade para o entendimento. dos sinais.

imagino-te a correr para o desejo com os braços vazios de um amor infeliz para o preencheres de alegria. (e jogas de novo os dados do destino que tu próprio traças: em pensamentos, em palavras, em masturbações).

o 11 favorece-te. queimámos o nosso contrato. e estamos agora no início dos caminhos.

hoje acordas e dizes: "esta é a casa que habito e gosto dela". e descobres a memória de muitos dias - não os suficientes - e apetece-te a infância. tu sabes que é lá que estás inteiro, sem subterefúgios, sem máscaras. por isso sorris e começas a crescer dentro da casa. até seres maior que ela.

vieste, como um furacão, abalar a cidade adormecida pelo silêncio dos homens. disseste-me: "mostra-me o teu mundo". e eu abri-te a porta para o desconhecido de todos e às vezes de mim. e deixei-te entrar.

receber-te foi a forma mais inesperada de eu perceber a futilidade da escuridão. e, de súbito, contigo ao meu lado, soube-me como um sol grandioso, de braços gigantes. tantos que podem abraçar a totalidade.

tenho o capricho de te amar. por isso, regresso sempre com a condição da felicidade na sua mais absoluta insensatez. é a loucura que atravessa o vazio para abraçar a impossibilidade do amor. de resto, o teu regresso - ou o meu regresso a ti - é sempre preenchido de uma intensidade que eu gosto.

por mim, passava os dias a ir e a voltar. se tivesse a garantia da eternidade. por não a ter, prefiro falar-te em construir uma ponte segura, com o quadro do douro a serpentear a invicta. e nós dois, de mãos entrelaçadas, a atravessá-la e a dominarmos as vertigens da nossa própria história.

o exercício do esquecimento fraqueja. a memória é uma voz inquietante que me visita no silêncio entre a paisagem, as pessoas, os sonhos e os cafés.

(dizias que a memória não existe. e, no entanto, eu luto para que ela não vivia intensamente em mim. quando também só desejo que ela seja passado).